A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve preso o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos, ao negar, em decisão liminar, o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Em contrapartida, concedeu prisão domiciliar ao empresário Joatan Gomes Peixoto, ex-sócio da Editora Avante, também investigado na Operação Gutemberg.
Os dois foram presos na semana passada durante a operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo a venda de livros paradidáticos em troca de favorecimentos na regulação da Saúde em Mato Grosso do Sul.
Empresário ficará em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica
Com a decisão judicial, Joatan Gomes Peixoto deixará o sistema prisional para cumprir prisão domiciliar. Ele deverá utilizar tornozeleira eletrônica por, pelo menos, 180 dias.
Segundo a investigação, Joatan era sócio da Editora Avante, empresa apontada pelo Gaeco como utilizada nas negociações investigadas. A quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça identificou que ele recebeu R$ 307,1 mil, conforme consta nos autos.
Já o ex-prefeito Junior Vasconcelos é citado por investigados como intermediador de negociações envolvendo prefeituras. Ainda de acordo com a apuração, a quebra de sigilo identificou o recebimento de R$ 22,5 mil.
Apenas dois investigados obtiveram prisão domiciliar
Até o momento, somente dois dos investigados presos na Operação Gutemberg conseguiram deixar o presídio para cumprir prisão domiciliar.
Além de Joatan Gomes Peixoto, também recebeu o benefício Jéssica Bugartt, filha de Ed Carlo Burgatt, coordenador da Regulação da Saúde e um dos principais investigados da operação.
Continuam presos:
- Ed Carlo Burgatt;
- Rossana Jafar, proprietária da Ross Clínica;
- Olívia Jafar;
- Jovem Jafar;
- Felipe Jafar, comissionado na Agesul;
- Rhayane Souza Fanaia;
- Paulo Rogério de Melo, proprietário da Atalaia Veículos;
- Douglas Henrique de Melo, dono da Atalaia Eventos;
- Matheus Oliveira Peixoto, proprietário da Lord Pub;
- Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;
- Francisco Anizio dos Santos;
- Gabriel Taquino de Paula;
- Geancarlos Leal.
Operação Gutemberg investiga esquema milionário
A Operação Gutemberg cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
O Gaeco investiga a prática de crimes contra a administração pública, incluindo corrupção ativa e passiva, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos.
De acordo com o Ministério Público, empresários e servidores públicos teriam atuado em conjunto para direcionar contratações por inexigibilidade de licitação destinadas à compra de livros paradidáticos.
A investigação aponta que o grupo movimentou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos, utilizando pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem do dinheiro.
Ainda segundo o Gaeco, servidores ligados à área da saúde pública condicionavam a liberação de exames, cirurgias e vagas hospitalares na rede estadual à contratação dos materiais comercializados pelo grupo investigado.
O órgão afirma que o esquema continuava em funcionamento e mantinha contratos ativos em diversos municípios de Mato Grosso do Sul quando a operação foi deflagrada.
Da redação

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